Sorgo que te quero bem

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Produzir etanol e biomassa com sorgo após o fim do ciclo de processamento da cana possibilita à usina diluir seus custos e aumentar o uso do parque industrial da empresa

 

O sorgo etanol e o sorgo biomassa não são mais promessas, já são realidades. Quando se pensa em um novo produto na agricultura, de fato leva tempo para que amadureça e esteja apto para o uso comercial. Principalmente porque a consolidação do produto não depende apenas dos investimentos em desenvolvimento, mas da cadência da natureza.

Apesar de todos os desafios tecnológicos e de mercado, a companhia norte-americana Nexsteppe não mediu esforços – de tempo e de recursos financeiros – no melhoramento genético de produtos que estejam em sintonia com as demandas da agricultura brasileira e do setor sucroenergético, em específico.  “Nossos investimentos nos permitiram montar um portfólio completo para o mercado visando oferecer sementes de sorgo sacarino e biomassa para a produção industrial de energia elétrica, etanol, biogás e, no futuro, etanol de segunda geração”, diz Sílvio Mesquita Carreira, diretor de assistência técnica da Nexsteppe.

O sorgo é o quinto cereal mais plantado no mundo e no Brasil ocupa em torno de 800 mil hectares. Uma área divida em produção de ração animal, de etanol e de biomassa, além de silagem.

Mas como está a adesão do mercado sucroenergético aos benefícios do sorgo? A incorporação desta matéria-prima ao processo produtivo de usinas e produtores agrícolas está atrelada aos preços de bioenergia praticados, tanto de energia elétrica como de etanol. “O preço do etanol, de certa forma, reagiu à demanda crescente. Já a remuneração da bioeletricidade está estagnada por conta da situação econômica do país. Com a crise, o Brasil passou a gastar menos eletricidade, mas com a estimativa de retomada do crescimento da economia, a expectativa é de que o preço da energia suba e as hidrelétricas não deem conta da demanda”, projeta Carreira.

 

ENTRESSAFRA

No Brasil, o cultivo do sorgo tem o seguinte calendário: safra de verão, plantada, de maneira geral, entre setembro e o final de novembro ou meados de dezembro, e uma segunda safra, que ocorre entre janeiro e março (safrinha).

O período de cultivo do sorgo que mais se adéqua às usinas de cana-de-açúcar engloba parte dos dois calendários: vai do final de novembro a meados de março. “É o momento que usinas estão reformando os canaviais.”

Carreira destaca que o cultivo do sorgo é uma grande oportunidade para as áreas de reforma de canaviais das usinas, que têm a opção de plantar uma cultura de cobertura ou adotar um cultivo de rotação, com incremento na rentabilidade do negócio. É o que possibilita o sorgo, que não apenas é viável nas áreas de renovação da lavoura de cana-de-açúcar, como pode ser destinado ao parque industrial da usina para ser processado e transformado em etanol.

O sorgo é uma cultura que se encaixa bem ao período de entressafra de cana-de-açúcar, uma vez que as usinas canavieiras operam, em média, entre 1º de abril e o final de novembro. “Produzir etanol e biomassa após o fim do ciclo de processamento da cana-de-açúcar possibilita à usina diluir seus custos e aumentar o uso do parque industrial da empresa.”

Além disso, quando chega o início da safra sucroenergética, no final de março ou 1º de abril, os canaviais da usina podem não estar no ponto, em termos de acúmulo de açúcar. “É mais uma oportunidade para o sorgo, que pode aumentar o período de safra da unidade e contribuir para que a usina inicie suas operações sem necessariamente esmagar uma cana que não está em plena maturação.”

Para uma usina sucroenergética, o sorgo é uma fonte alternativa de matéria-prima para produção de etanol e bioeletricidade em várias oportunidades, na opinião de Carreira. Pelo menos dez usinas brasileiras já usaram esta cultura. Foram experiências bem-sucedidas, que comprovaram que o sorgo pode substituir a cana – “sem problemas!” – no processo industrial de fabricação de etanol.

A expectativa é que, na atual entressafra, o sorgo possa ser um aliado ainda mais importante para as usinas canavieiras. Ao longo de 2017, a expectativa é que os preços do açúcar e do etanol continuem em alta. Entretanto, estima-se que a safra de cana no próximo ciclo (2017/18) registre uma queda no volume de moagem ou, no máximo, uma produção semelhante à verificada em 2016/17.

Ou seja, para aproveitar os bons preços, as usinas “correrão” atrás de matéria-prima, o que abre uma possibilidade ao sorgo, que tem condições de aumentar a produção de etanol das usinas – liberando cana para a produção de açúcar -, o que permitirá à empresa cumprir seus contratos e aproveitar o bom momento de preços.

“Diante da possibilidade de faltar cana, o empresário do setor começa a se abrir a culturas novas e diferentes fontes de matéria-prima”, sublinha o diretor da Nexsteppe.

 

ASSISTÊNCIA TÉCNICA E AGRONÔMICA

Carreira relata que o sorgo ainda impõe um desafio ao setor sucroenergético do ponto de vista agrícola. “A usina está muito bem preparada para manejar a cana, que é um cultivo de ciclo longo, de um ano, um ano e meio. Já o sorgo tem um ciclo curto, que traz outros desafios que exigem um processo de aprendizado por parte do setor agrícola da unidade no que diz respeito ao seu manejo.”

Com o objetivo de contribuir com usinas e produtores que incorporarem o cultivo do sorgo, Carreira explica que a Nexsteppe adotou como estratégia não apenas o fornecimento da semente, como também de toda assistência técnica e agronômica ao cliente. “Estamos prontos para responder todas as perguntas que surgirem. Trabalhamos em conjunto com a usina para que possa lidar com eficiência com o sorgo, que é uma cultura diferente para a empresa.”

Embora a adesão das usinas sucroenergéticas ao sorgo ainda esteja em fase de consolidação, Carreira projeta um futuro promissor para a cultura no país. Segundo ele, a situação econômica brasileira ainda reflete a disposição do empresário, inclusive por dificuldades financeiras, de apostar em novos negócios.

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