sábado, Maio 25, 2019
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Tecnologias buscam assegurar sustentabilidade à exploração e consumo do carvão mineral

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Fonte pode impulsionar desenvolvimento e gerar empregos

De origem fóssil, o carvão mineral faz parte da história das primeiras fontes de energia utilizadas pela sociedade. Um momento marcante foi a primeira Revolução Industrial, quando era usado para a geração de vapor para movimentar as máquinas na Inglaterra, no Século XVIII.

No Brasil, o carvão mineral ocupava 25% da matriz energética quando aconteceu a primeira crise do petróleo, em 1973. Entretanto, com as iniciativas do Programa Proálcool e a construção Hidrelétrica de Itaipu, a importância desta fonte fóssil começou a cair.

Anos depois, com a instalação de termelétricas no país, o interesse pelo material voltou a ganhar destaque. “As termelétricas deveriam ser utilizadas como geradoras, acionadas em caráter eventual. De fato, elas têm sido usadas, principalmente, em anos de seca, nos quais a produção de biomassa diminui”, afirma o professor Thiago Libório Romanelli, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da Universidade de São Paulo (USP).

Apesar de ser uma fonte barata, competitiva e de grande relevância, o carvão vai na contramão das energias limpas pelo impacto ambiental negativo de seu processo de produção, consumo e extração. Segundo Romanelli, o Brasil possui diversas fontes de eletricidade disponíveis com maior sustentabilidade. “Como cogeração em usinas de cana e indústrias de papel e celulose, porém há falta de incentivo para a cogeração”, completa.

Curva de aprendizagem

Mas para o presidente da Associação Brasileira do Carvão Mineral, Fernando Luiz Zancan, é preciso destacar que todas as fontes causam impacto ambiental. “O carvão tem o estigma de ser uma fonte suja, mas com o avanço tecnológico no seu uso, tem equacionado os problemas ambientais, tendo hoje usinas com emissões menores que usinas a gás natural.”

Zancan ressalta que para todos os fósseis, incluindo o carvão, é necessário desenvolver as inovações na captura e armazenamento de carbono. “É uma tecnologia que precisa acelerar sua curva de aprendizagem para terem os custos baixados, como foi feito com as energias eólica e solar, que tiveram elevados subsídios para seu desenvolvimento.”

Por outro lado, o professor Romanelli, da USP, afirma que evitar a poluição ou outro impacto ambiental negativo é mais efetivo que mitigá-los. “Se o seu uso com mitigação das externalidades, como emissões de particulados e gases de efeito estufa, for economicamente viável e sem prejudicar a sociedade ao entorno (tanto do uso, como da área de extração), poderia ser considerado sustentável.”

Neste cenário, a agenda dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que deve ser implementada por todos os países pertencentes à Organização das Nações Unidas até 2030, busca diminuir os impactos ambientais. Um deles é o desenvolvimento de tecnologias de baixo carbono. “Não há limitações ao uso dos combustíveis fósseis. As tecnologias de captura, uso e armazenamento de carbono permitem que se retenha cerca de 90% do carbono gerado na combustão. Precisa acelerar seu desenvolvimento com a construção de novas unidades, como, por exemplo, a usina de Petra Nova, no Texas, nos Estados Unidos, com 240 MW”, defende Zancan.

Apesar da constante busca por se equacionar os impactos ambientais causados pela exploração de carvão, é evidente que proporciona consequências positivas, como a geração de emprego e desenvolvimento para o país. “A maior reserva de carvão do país está no Rio Grande do Sul, com cerca de 89% do total. A indústria de carvão gera cerca de 53 mil empregos na economia”, completa o presidente da Associação Brasileira do Carvão Mineral. Entretanto, ele afirma que não existem incentivos para o desenvolvimento da indústria do carvão, mas restrições que não elegem as térmicas de carvão para serem financiáveis.

Carvão Vegetal

O carvão vegetal, obtido a partir da carbonização da lenha, pode ser visto como uma alternativa sustentável em relação ao carvão mineral. “Boa parte do aço produzido no Brasil já faz uso de carvão vegetal. Lenha e carvão vegetal já somam 8%, contra 5,5% de carvão mineral e coque, que são utilizados para eletricidade e metalurgia”, conta o professor Thiago Libório Romanelli, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz.

Grandes consumidores

Os maiores consumidores de carvão do país são as centrais termelétricas da empresa Engie, localizadas no Complexo Termelétrico de Jorge Lacerda; a Companhia de Geração Térmica de Energia Elétrica (CGTEE), com a usina Candiota III; e a Copel, com a Unisina de Figueira, de acordo com o presidente da Associação Brasileira de Carvão Mineral, Fernando Luiz Zancan. Carvão também é utilizado na indústria como fonte de calor e energia, como, por exemplo, no Polo Petroquímico no Município de Triunfo, no Rio Grande do Sul. “Existe uma produção pequena de carvão metalúrgico usado pela indústria de fabricação de coque, em que é aplicado na indústria de fundição”, afirma.

Essa matéria foi publicada na 34ª edição da revista Full Energy. Clique e confira a publicação.