Temporais derrubam torres de transmissão, mas não interrompem fornecimento

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Foto: Divulgação
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Embora as regiões Sudeste e Centro Oeste ainda estejam na transição para o período chuvoso, temporais eventuais estão fazendo estragos. No último sábado (24/10), fortes ventos derrubaram duas torres de uma linha de transmissão de 500 kV no trecho dos municípios goianos de Rio Verde e de Itumbiara. Dois dias antes, na mesma região, outro temporal danificou oito torres de outra linha, de 230 kV, neste mesmo trecho. No primeiro caso, a recuperação da linha já foi concluída na terça-feira ( 27/10), e para a segunda linha, a expectativa é de conclusão dos reparos até o final desta semana. A primeira linha pertence à Itumbiara Transmissão de Energia (ITE), da State Grid Brazil e a segunda é da empresa de transmissão Eletrobrás Furnas.

Embora os dois casos chamem a atenção pela intensidade dos fenômenos meteorológicos envolvidos, praticamente todos os dias ocorrem desligamentos gerados por problemas nas redes de transmissão de energia elétrica em todo o país, mas não chega a 5% o percentual dos casos em que o incidente  é percebido pelo consumidor, devido a algum corte de energia na localidade afetada. A maioria dos casos passa despercebida pela população, pois o desligamento é compensado por sistemas redundantes e mudanças de procedimentos operacionais como, por exemplo, aumento da geração elétrica no local para onde se destinaria a parcela de energia interrompida.

Em 2014, por exemplo, foram identificadas 1.951 “perturbações” no sistema com origem exclusiva em linhas de transmissão (não computados desligamentos de outras origens, como pane em transformadores). Deste total, apenas 84 representaram algum corte de carga (corte de energia ao consumidor). E deste total, somente 24 episódios  (1,2 %) envolveram cortes de carga igual ou superior a 100 MW, equivalente ao consumo de uma cidade com 1 milhão e 700 mil habitantes, tendo como base o consumo médio residencial no Brasil que é de 165 kWh/mês.

Desse  total de  1.951 eventos, as  “condições climáticas adversas” foram responsáveis pela maior parte dos incidentes, com 545 episódios. Em segundo lugar vieram as queimadas, causando 268 incidentes. A tendência é que, a cada ano, aumente o número de eventos, tendo em vista o crescimento da malha de transmissão no país – que passou de 84.143 km de extensão em 2008 para 109.971 km em 2014 (um crescimento de 31%).

O número de ocorrências com as linhas cresceu proporcionalmente à sua extensão, 34%, passando de 1.458, em 2008, para 1.951, em 2014. Mas a segurança do sistema aumentou, pois foram criados mais caminhos alternativos para escoamento de energia, para evitar problemas caso ocorra desligamento de algum elemento da rede de transmissão. Os eventos com algum corte de carga em 2008 somaram  106,  o que significa que houve uma queda de 21%, para  os 84 casos de 2014.