Elétricas ampliam uso de IA e já observam ganhos no Brasil

Companhias do setor elétrico ampliam aplicações de inteligência artificial em operações, distribuição e gestão corporativa, com foco em eficiência, redução de perdas e modernização da infraestrutura energética.

As grandes companhias do setor elétrico brasileiro vêm acelerando a adoção de soluções baseadas em IA para ampliar a eficiência operacional, aumentar a resiliência dos sistemas e reduzir custos em áreas estratégicas. Empresas como Axia e Equatorial já contabilizam impactos financeiros que chegam à casa das centenas de milhões de reais com aplicações voltadas tanto à operação de infraestrutura quanto à gestão.

A movimentação reforça uma tendência de transformação digital no setor de energia. É impulsionada pela necessidade de modernização das operações, prevenção de falhas e aprimoramento da experiência do consumidor. Tudo isso, em um mercado cada vez mais pressionado por eficiência, segurança e previsibilidade.

IA ganha espaço na operação do sistema elétrico

A Axia, antiga Eletrobras e atualmente considerada a maior companhia de energia da América Latina, tem ampliado o uso de inteligência artificial em diferentes frentes. Entre as aplicações estão modelos climáticos voltados à avaliação de riscos associados a queimadas e eventos extremos. Exemplos abrangem ventos fortes, permitindo ações preventivas para evitar desligamentos em linhas de transmissão.

As ferramentas também são utilizadas em áreas corporativas, incluindo auditoria contratual, automação de processos e cálculos relacionados a passivos judiciais.

Segundo informações divulgadas pela companhia, o conjunto dessas iniciativas já gera impacto positivo anual estimado em R$ 100 milhões, considerando aumento de receitas e redução de custos.

Além da utilização interna, a empresa também avança na estruturação de soluções que futuramente poderão ser disponibilizadas para outros agentes do setor energético.

Infraestrutura para IA avança no setor elétrico

Como parte da estratégia de expansão tecnológica, a Axia inaugurou recentemente, no Rio de Janeiro, uma infraestrutura de computação em nuvem voltada ao processamento de aplicações de alta demanda, incluindo machine learning e inteligência artificial generativa.

A chamada “fábrica de IA”, desenvolvida com apoio do Centro de Pesquisas de Energia Elétrica (Cepel), conta com dezenas de GPUs voltadas ao processamento paralelo. Dessa forma, poderá atender, além da própria companhia, startups e parceiros do ecossistema de inovação em energia.

A iniciativa acompanha uma tendência global de fortalecimento da capacidade computacional no setor elétrico, especialmente diante do avanço de aplicações ligadas à análise preditiva, automação e digitalização de ativos críticos.

Distribuição de energia concentra aplicações estratégicas

Na área de distribuição de energia, a inteligência artificial vem sendo aplicada principalmente em iniciativas ligadas ao combate às perdas comerciais, monitoramento da rede e manutenção preditiva.

O grupo Equatorial, que opera uma das maiores plataformas de distribuição do país, mantém atualmente dezenas de projetos de inovação e consolida aplicações de IA generativa voltadas à operação e ao relacionamento com consumidores.

Entre os principais focos estão o monitoramento inteligente da rede elétrica, automação de inspeções e identificação de irregularidades no consumo de energia.

Uma das iniciativas da companhia utiliza visão computacional e imagens de satélite para apoiar fiscalizações e detectar possíveis fraudes. A tecnologia já permitiu identificar mais de 415 mil ocorrências de irregularidades nas áreas de concessão da empresa.

De acordo com dados da companhia, os projetos de inovação implementados nos últimos dois anos contribuíram para benefícios financeiros superiores a R$ 185 milhões. Esses dados permeiam entre ganhos de receita e redução de despesas.

Setor ainda enfrenta desafios na maturidade digital

Apesar do avanço das aplicações de IA no segmento elétrico, especialistas avaliam que a adoção da tecnologia ocorre de forma desigual entre as empresas brasileiras.

Segundo análises do mercado, grande parte das organizações ainda opera em níveis considerados iniciais de maturidade digital. Isso se deve ao uso de soluções com baixo grau de automação e pouca integração estratégica.

Do mesmo modo, o setor elétrico também enfrenta desafios relacionados à formação de profissionais especializados em inteligência artificial e análise avançada de dados.

Um relatório da Agência Internacional de Energia (IEA), publicado no último ano, aponta que os segmentos de utilities, petróleo e mineração apresentam níveis menores de competências relacionadas à IA quando comparados a áreas como serviços financeiros, educação e tecnologia.

Assim, no Brasil, o levantamento indica que profissionais do segmento de utilities ainda possuem menor especialização em inteligência artificial em relação a setores como manufatura, tecnologia da informação e mercado financeiro.

Transformação digital deve ganhar força nos próximos anos

O avanço da inteligência artificial no setor elétrico acompanha a crescente pressão por eficiência operacional, confiabilidade do sistema e modernização da infraestrutura energética brasileira.

Com o aumento da complexidade das redes, maior inserção de fontes renováveis e expansão da digitalização, a tendência é que as companhias ampliem os investimentos em tecnologias voltadas à automação.

A expectativa do mercado é que a IA assuma papel cada vez mais estratégico na gestão do sistema elétrico. Dessa forma, contribuirão para decisões operacionais mais rápidas, redução de perdas e aumento da competitividade das empresas do setor.

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