Levantamento do Iema mostra avanço da energia solar em comunidades isoladas e redução do uso de combustíveis fósseis na Pan-Amazônia.
As iniciativas de energia renovável na Amazônia beneficiaram mais de 70 mil pessoas em comunidades isoladas da Pan-Amazônia na última década, segundo levantamento divulgado pelo Instituto de Energia e Meio Ambiente (Iema).
De acordo com a entidade, os projetos ajudaram a substituir o consumo de mais de um milhão de litros de combustíveis fósseis. Além disso, cerca de 200 mil litros de derivados de petróleo deixaram de ser utilizados por iniciativas de transporte eletrificado abastecido por energia solar.
A plataforma lançada pelo Iema mapeou 313 projetos-piloto implementados em 223 comunidades e 90 residências coletivas distribuídas entre Brasil, Colômbia, Peru, Equador, Suriname e Bolívia.
Energia renovável na Amazônia reduz dependência do diesel
Segundo o levantamento, a energia solar fotovoltaica esteve presente em todos os projetos analisados. Além disso, 86% das iniciativas contavam com sistemas de armazenamento por baterias.
Como resultado, praticamente todas as comunidades reduziram a dependência do diesel. Em aproximadamente um terço dos casos, o combustível foi eliminado completamente, informou o Iema.
“A energia elétrica é mais do que um serviço essencial. Quando implementada de acordo com as necessidades das comunidades, ela impulsiona melhorias na saúde, fortalece a comunicação, amplia oportunidades de geração de renda e contribui para a qualidade de vida”, afirmou Fabio Galdino dos Santos, pesquisador do Iema e um dos autores da plataforma.
Energia renovável na Amazônia apresenta diferentes custos por beneficiário
A ferramenta também analisou a eficiência dos investimentos realizados. Segundo o Iema, iniciativas voltadas à geração de renda apresentaram custo médio de US$ 46 por beneficiário.
Da mesma forma, projetos de eletrificação comunitária registraram custo médio de US$ 50 por pessoa atendida. Conforme a entidade, os valores menores refletem o alcance coletivo dessas iniciativas.
Por outro lado, projetos de educação tiveram custo médio de US$ 933 por beneficiário. Já ações relacionadas à saúde e saneamento alcançaram US$ 3.033 por pessoa atendida.
Segundo o instituto, esses valores mais elevados estão associados à necessidade de equipamentos especializados, infraestrutura adicional e desafios logísticos em áreas remotas.
Energia renovável na Amazônia ainda enfrenta desafios de inclusão
Apesar dos avanços observados, o levantamento identificou desafios relacionados à participação feminina nas atividades técnicas dos projetos.
De acordo com o Iema, as mulheres representaram apenas 15% das pessoas capacitadas para instalar, operar e realizar a manutenção dos sistemas energéticos.
Por outro lado, a presença feminina foi mais significativa em funções de liderança e coordenação das iniciativas implementadas nas comunidades atendidas.
















