Minerais críticos redesenham comércio global e ampliam disputas

Relatório da ONU aponta avanço de restrições comerciais, novas parcerias internacionais e aumento da competição por insumos essenciais à transição energética.

A crescente demanda por minerais críticos está transformando as cadeias globais de suprimento e ampliando disputas comerciais entre países. A avaliação consta em relatório divulgado pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad).

Segundo a agência da ONU, dezenas de acordos internacionais foram firmados nos últimos anos para garantir acesso a matérias-primas consideradas estratégicas para a transição energética e o desenvolvimento tecnológico.

Além disso, o tema ganhou espaço na agenda das principais economias mundiais, que buscam reduzir a dependência de fornecedores concentrados em poucos países.

Minerais críticos impulsionam novas parcerias globais

De acordo com a Unctad, 73 acordos relacionados a minerais críticos foram registrados nos últimos seis anos. Desse total, 58 foram assinados desde 2022.

Segundo o relatório, essas parcerias abrangem atividades como exploração, extração, processamento, refino, utilização e reciclagem dos minerais. No entanto, a agência observa que a maior parte dos acordos ainda se concentra nas etapas iniciais da cadeia produtiva.

Além disso, os países em desenvolvimento continuam mais ligados às atividades de extração, enquanto as etapas de maior valor agregado permanecem concentradas em mercados mais industrializados. Os minerais críticos se tornaram elementos centrais para cadeias produtivas ligadas à energia limpa, mobilidade elétrica e tecnologias digitais.

Comércio de minerais críticos enfrenta mais restrições

Paralelamente ao crescimento da demanda, aumentaram as medidas de restrição comercial adotadas por países produtores. Desde 2020, governos e autoridades regulatórias implementaram quase 100 medidas relacionadas à exportação desses recursos. Entre elas estão exigências de licenciamento, impostos específicos, cotas e proibições de exportação.

Conforme o relatório, a República Democrática do Congo lidera o número de medidas adotadas, seguida por China e Indonésia. Para a agência da ONU, essas políticas buscam fortalecer a participação dos países produtores nas cadeias globais de valor e estimular o processamento local dos recursos minerais.

G7 discute segurança das cadeias de suprimento

Enquanto isso, líderes do G7 discutem iniciativas para ampliar a segurança das cadeias de suprimento de minerais críticos. Os países avaliam a criação de reservas estratégicas de terras raras e outros minerais essenciais. A preocupação está relacionada à forte concentração da produção e do processamento em poucos mercados.

Em 2025, a República Democrática do Congo respondeu por 74% da produção mundial de cobalto. Já a Indonésia concentrou 67% da produção de níquel. Por sua vez, a China respondeu por 69% da produção global de terras raras e por mais de 90% da capacidade de refino desses materiais.

Brasil mantém posição independente

Apesar de possuir cerca de 20% das reservas globais de terras raras, o Brasil não pretende aderir à iniciativa discutida pelo G7, segundo fontes do governo. A posição segue a estratégia defendida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva de manter relações comerciais abertas com diferentes parceiros internacionais.

Nesse contexto, o país busca ampliar investimentos no setor mineral sem restringir sua atuação a blocos ou alianças específicas. Para especialistas do mercado, o avanço da transição energética tende a ampliar ainda mais a importância dos minerais críticos nos próximos anos, especialmente diante do crescimento da mobilidade elétrica, das energias renováveis e das tecnologias digitais.

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