Executiva destaca potencial dos minerais críticos brasileiros e aponta armazenamento de energia como oportunidade para a indústria nacional.
A Volkswagen Caminhões e Ônibus defendeu a adoção de políticas voltadas à nacionalização de baterias como estratégia para fortalecer a indústria brasileira e acelerar a transição energética.
Durante evento promovido por instituições do setor, Priscila Rocha, head global de Sustentabilidade e ESG da empresa, afirmou que o país possui condições favoráveis para desenvolver uma cadeia produtiva própria.
Segundo a executiva, o Brasil e a América Latina concentram reservas relevantes de minerais críticos utilizados na fabricação de baterias.
“A bateria é um fator crítico, sim, que a gente precisa pensar como política de industrialização”, afirmou.
Além disso, ela destacou que a descarbonização também representa uma oportunidade econômica e industrial para o país.
Nacionalização de baterias ganha espaço no setor de energia
O debate ocorre em um momento importante para o setor energético brasileiro. Isso porque o governo federal prepara o primeiro leilão de sistemas de armazenamento de energia em baterias do país.
Uma das modalidades previstas deverá exigir conteúdo nacional mínimo, seguindo critérios de credenciamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Segundo especialistas do setor, a medida pode estimular fabricantes instalados no Brasil e ampliar a participação da indústria nacional na cadeia de armazenamento de energia.
Para Priscila Rocha, iniciativas desse tipo enviam sinais positivos ao mercado e reduzem a dependência externa de componentes estratégicos.
“Precisamos trazer a cadeia de valor da bateria para cá”, afirmou.
A executiva também destacou que a fabricante Moura realiza a montagem das baterias utilizadas pela Volkswagen Caminhões no Brasil.
Custos de baterias ainda desafiam a eletrificação
Apesar do avanço tecnológico, o custo das baterias continua sendo um dos principais desafios para a expansão dos veículos elétricos pesados.
Segundo Rocha, o preço das baterias caiu mais de 90% nos últimos 15 anos. Ainda assim, os valores permanecem acima dos observados em tecnologias movidas a diesel.
“A aquisição de um caminhão elétrico ainda demanda um capex muito alto, principalmente pelo custo da bateria”, explicou.
Por outro lado, a executiva ressaltou que os custos operacionais dos veículos elétricos são inferiores aos dos modelos convencionais.
Nesse contexto, a expectativa é que a aproximação entre os custos das duas tecnologias impulsione o crescimento das vendas entre 2028 e 2030.
Eletrificação e infraestrutura avançam juntas
Priscila Rocha também comentou o avanço da infraestrutura necessária para a mobilidade elétrica no país.
Entre os exemplos citados está a Coalizão e-Dutra, iniciativa que busca transformar a Rodovia Presidente Dutra em um corredor de transporte de cargas com zero emissão.
O projeto reúne empresas que pretendem viabilizar cerca de mil viagens diárias de caminhões elétricos entre Rio de Janeiro e São Paulo até 2030.
Segundo a executiva, a expansão da infraestrutura deverá acompanhar o crescimento da demanda por veículos elétricos.
“A infraestrutura está vindo”, afirmou.
Biocombustíveis podem atuar de forma complementar
Ao abordar a estratégia de descarbonização da Volkswagen Caminhões e Ônibus, Rocha afirmou que eletrificação e biocombustíveis não devem competir entre si.
De acordo com a executiva, as duas soluções podem atuar de forma complementar na redução das emissões do transporte pesado.
Além disso, a empresa já desenvolve protótipos híbridos que combinam motores elétricos e biocombustíveis.
“Temos um protótipo bem interessante que funciona com biocombustível e reúne as duas tecnologias”, destacou.
Nesse cenário, a combinação entre armazenamento de energia, eletrificação e combustíveis renováveis surge como uma das principais apostas para a transição energética no transporte brasileiro.
















