ABSOLAR mira tarifa e infraestrutura em nova gestão

A nova gestão da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR) assume com uma agenda voltada à modernização tarifária, expansão da infraestrutura elétrica e integração de novas tecnologias ao setor solar. O ciclo 2026-2030 será conduzido por Bárbara Rubim, que assume como presidente do Conselho de Administração da entidade.

A posse do novo conselho ocorreu na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), em São Paulo. Segundo a ABSOLAR, a agenda da nova gestão responde ao avanço das fontes renováveis e à necessidade de adaptação regulatória e estrutural do sistema elétrico brasileiro, diante de temas como curtailment, inversão de fluxo de potência e expansão das redes de transmissão e distribuição.

Solar ultrapassa 68 GW e pressiona redes

De acordo com a ABSOLAR, o Brasil já ultrapassou 68 GW de capacidade instalada em energia solar, consolidando a fonte como a segunda maior da matriz elétrica brasileira e posicionando o país como o sexto maior mercado solar do mundo.

Para a Bárbara Rubim, o avanço da fonte mostra a força da tecnologia, mas também evidencia a necessidade de atualização das estruturas do sistema elétrico. “Agora, estamos diante de um paradoxo histórico”, afirmou a presidente do Conselho de Administração da ABSOLAR.

Segundo a executiva, cortes de geração, inversão de fluxo de potência e discussões tarifárias indicam que a infraestrutura e a regulação não acompanharam a velocidade de crescimento das renováveis e das novas tecnologias. “Esses não são sintomas de fracasso. São sintomas de um sucesso que chegou mais rápido do que as estruturas conseguiram acompanhar”, disse ela.

Modernização tarifária no centro da agenda

A modernização tarifária será um dos principais eixos da nova gestão. A ABSOLAR pretende ampliar o diálogo com governos, reguladores, distribuidoras, transmissoras, consumidores e formuladores de políticas públicas, com foco em planejamento, previsibilidade regulatória e soluções técnicas para os entraves atuais do setor.

Bárbara afirmou que a entidade pretende atuar com dados técnicos e propostas concretas nas discussões setoriais: “Vamos à mesa com propostas concretas, dados técnicos e argumentos robustos”, disse.

Infraestrutura e novas tecnologias

A agenda da entidade também inclui expansão da infraestrutura de transmissão e distribuição, armazenamento de energia elétrica, hidrogênio verde, mobilidade elétrica, redes inteligentes e ampliação do acesso dos consumidores ao mercado livre de energia.

Para Bárbara, o crescimento sustentável da energia solar dependerá da combinação entre inovação tecnológica, financiamento, estabilidade regulatória e fortalecimento técnico do sistema elétrico nacional. “Velocidade sem solidez cria vulnerabilidade”, afirmou.

Governança setorial

A nova presidência do conselho também busca ampliar a convergência entre diferentes segmentos do setor elétrico. Bárbara defende que as fontes de geração sejam tratadas como complementares e que a integração entre tecnologias e agentes de mercado seja parte da agenda de transição energética.

O vice-presidente institucional da ABSOLAR, Ronaldo Koloszuk, que ocupou por oito anos a presidência do colegiado, afirmou que a entidade seguirá atuando por estabilidade regulatória, estímulo a investimentos e crescimento equilibrado do ecossistema solar no Brasil.

Já Rodrigo Sauaia, CEO e cofundador da associação, destacou que a associação continuará representando os diferentes elos da cadeia fotovoltaica, incluindo geração distribuída, geração centralizada, novos mercados, armazenamento e cadeia produtiva.

A nova gestão assume com uma agenda concentrada nos temas que passam a definir a próxima fase da energia solar no Brasil: tarifa, infraestrutura, regulação, integração tecnológica e coordenação setorial.

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