“Hidrogênio verde avança em favor da economia de baixo carbono”, por Ingrid Santos, CEO da Turiya Renováveis

Economia de baixo e carbono e hidrogênio verde são pauta do artigo

No momento em que o mundo tenta se organizar para viabilizar as iniciativas que permitirão obter uma economia pautada na emissão de baixo carbono, com o intuito de atingir as metas estipuladas pelo Acordo de Paris em 2050 – esforço este que, segundo a Agência Internacional de Energia Renovável (IRENA), demandará investimentos de US$ 4,4 trilhões por ano em energia de baixo carbono – diversos países se voltam ao desenvolvimento de uma nova fonte de energia renovável, o hidrogênio verde.

Este desponta como possível substituto aos combustíveis fósseis, petróleo, e também ao gás natural, no contexto da escassez do gás na Europa, decorrente da guerra na Ucrânia e das retaliações da Rússia contra a Europa.

Os países que vêm liderando a corrida pelo hidrogênio, investindo em pesquisa, desenvolvimento e que já contam com projetos ambiciosos, são a Alemanha – que inclusive anunciou recentemente a primeira frota do mundo de trem movida a hidrogênio fabricado a partir do gás natural (o chamado hidrogênio azul) -, a Holanda e a Austrália – este último é o país que soma a maior capacidade de produção já anunciada.

O Brasil também tem avançado nessa direção. Com uma participação das energias renováveis em sua matriz energética bem acima da média mundial — segundo a EPE (Empresa de Pesquisa Energética), as fontes renováveis correspondiam a 44,7% da nossa matriz energética em 2021, em comparação à média mundial de 14,1% apurada em 2019).

O País desponta entre as nações com maior potencial para a produção do hidrogênio verde. Conta a seu favor, o fato de que as energias eólicas e fotovoltaica — insumos para a produção do hidrogênio verde, juntamente com a água — têm uma boa base instalada no país e vêm crescendo rapidamente: somadas, elas já representam 18,9% da matriz elétrica e 13,4% da matriz energética nacional, sendo que a quantidade de geração fotovoltaica já avançou em quase 50% entre 2021 e 2022.

Os investimentos e as pesquisas sobre o hidrogênio verde refletem o maior interesse por esta fonte de energia, inclusive devido à necessidade de se avançar na diversificação da matriz energética.

E, embora os investimentos estejam ainda em seu início, já vemos algumas iniciativas bem estruturadas, conforme indica o levantamento da consultoria Rystad Energy, divulgado pelo Valor Econômico, apontando que as intenções de projetos de hidrogênio verde anunciados até o momento no país somam 1,8 milhões de toneladas de capacidade de produção, o 10º maior volume do mundo e o 2º maior da América Latina. Nesse contexto, o Brasil tem potencial inclusive para se tornar um exportador do hidrogênio verde no futuro.

Para as empresas que já possuem atividades ligadas às energias renováveis, ingressar neste mercado pode trazer boas oportunidades, além de ser um processo mais fácil por já disporem de expertise e estrutura estabelecida no mercado.

Mas é interessante que o hidrogênio cresça em várias frentes, e por meio de empresas de outros setores, a fim de garantir a diversificação necessária.

O avanço nessa área, contudo, também deve superar alguns desafios para que o hidrogênio verde ganhe tração.

É preciso que se estabeleçam políticas públicas de incentivo, que haja uma infraestrutura adequada para o transporte e o armazenamento do produto, e que esse tema seja regulamentado, além da necessidade de desenvolvimento de tecnologias mais avançadas, que, inclusive, contribuam para minimizar um dos principais desafios, que são os custos de produção elevados do processo de eletrólise.

** Artigo escrito por Ingrid Santos, CEO da Turiya Renováveis

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