IA pode gerar US$ 200 bi por ano para o setor de energia

Estudo da Deloitte aponta que IA pode reduzir custos, aumentar a eficiência energética e acelerar a transição para uma economia de baixo carbono.

A inteligência artificial no setor de energia pode se tornar uma das principais ferramentas para ampliar a eficiência operacional e acelerar a transição energética nas próximas décadas.

Segundo estudo da consultoria Deloitte, a adoção estratégica da tecnologia pode gerar economias superiores a US$ 200 bilhões por ano até 2030. Além disso, esse valor poderá se aproximar de US$ 500 bilhões anuais até 2050.

Os dados fazem parte do relatório AI for Energy Systems, que analisou o potencial da inteligência artificial para otimizar operações, reduzir emissões e aumentar a resiliência dos sistemas energéticos. Segundo a Deloitte, os benefícios econômicos acumulados entre 2030 e 2050 podem variar entre US$ 8,3 trilhões e US$ 11 trilhões.

Ainda de acordo com o estudo, a tecnologia tem potencial para reduzir em até 5% os custos globais estimados da transição energética, atualmente avaliados em cerca de US$ 200 trilhões.

Inteligência artificial no setor de energia amplia eficiência operacional

O relatório identifica três grandes áreas de aplicação da inteligência artificial no setor energético, segundo a Deloitte. A primeira está relacionada à operação dos sistemas elétricos. Nesse segmento, algoritmos avançados permitem equilibrar oferta e demanda em tempo real, além de facilitar a integração de fontes renováveis.

Ao mesmo tempo, a tecnologia contribui para reduzir perdas operacionais e aumentar a estabilidade das redes elétricas.

Outra aplicação relevante envolve a gestão de ativos. Nesse contexto, sistemas inteligentes conseguem antecipar falhas em equipamentos, permitindo manutenções preditivas e reduzindo custos operacionais.

Por sua vez, o uso da inteligência artificial também alcança o consumo final de energia. A tecnologia analisa padrões de utilização e identifica oportunidades para aumentar a eficiência em instalações industriais e edifícios, conforme o levantamento da Deloitte.

IA pode reduzir consumo global

Além dos ganhos financeiros, a inteligência artificial poderá contribuir para uma redução significativa do consumo energético mundial.

Segundo a Deloitte, a economia de energia viabilizada pela tecnologia pode variar entre 2.700 e 3.700 TWh até 2030. Esse volume corresponde a aproximadamente três vezes o consumo adicional projetado para o período.

Posteriormente, até 2050, a redução poderá alcançar quase 12.000 TWh, representando entre 10% e 12% da demanda global estimada em cenários de neutralidade de carbono.

O estudo aponta que cerca de 60% dessas economias deverão vir da indústria e do setor elétrico até 2030. Já em 2050, o próprio setor elétrico deverá liderar os ganhos de eficiência.

Consequentemente, a redução do consumo também tende a impactar as emissões de gases de efeito estufa.

De acordo com a Deloitte, a aplicação da inteligência artificial poderá evitar aproximadamente 660 milhões de toneladas de CO₂ equivalente por ano até 2030.

Transição energética depende de investimentos e governança

Apesar do potencial identificado, o estudo destaca desafios para ampliar o uso da tecnologia no setor energético.

Entre eles estão a necessidade de dados de qualidade, infraestrutura digital adequada, capacitação profissional e modelos robustos de governança.

Além disso, a Deloitte avalia que empresas de energia, indústria, tecnologia e instituições financeiras terão papel fundamental na expansão dessas soluções.

Nesse sentido, instrumentos como financiamentos sustentáveis, títulos verdes e modelos inovadores de investimento podem acelerar a adoção da inteligência artificial em projetos energéticos.

Paralelamente, governos e órgãos reguladores são apontados como responsáveis por criar ambientes favoráveis à inovação, garantindo segurança, transparência e proteção de dados.

Brasil pode ampliar protagonismo com IA

O estudo também destaca o potencial brasileiro para liderar iniciativas que unem inovação tecnológica e sustentabilidade.

Segundo a Deloitte, a combinação entre matriz elétrica renovável, disponibilidade de recursos naturais e expansão da agenda de descarbonização cria condições favoráveis para a adoção da inteligência artificial no setor de energia.

Além disso, o país possui oportunidades para desenvolver projetos voltados à eficiência energética, integração de fontes renováveis e modernização da infraestrutura.

Por fim, o relatório aponta que a cooperação entre empresas, investidores, governos e instituições de pesquisa será decisiva para consolidar um ecossistema capaz de transformar a inteligência artificial em um vetor estratégico para o futuro da energia.

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