Argentina: um produtor em ascensão no mercado de petróleo

A maioria das regiões produtoras de petróleo na Argentina registraram queda na comparação com o ano anterior, exceto a bacia de Neuquina, que detém as reservas de xisto de Vaca Muerta.

A maioria das regiões produtoras de petróleo na Argentina registraram queda na comparação com o ano anterior, exceto a bacia de Neuquina, que detém as reservas de xisto de Vaca Muerta.

 

Os projetos de infraestrutura serão cruciais para que a Argentina expanda significativamente seu volume de exportação na próxima década.

O oleoduto transandino, por exemplo, facilitou o envio diário de 52.000 barris de petróleo bruto, marcando um aumento de 30% nas exportações de petróleo de Vaca Muerta para o Chile.

O aumento da produção de petróleo da Argentina nos últimos anos impulsionou suas exportações de petróleo bruto, oferecendo algum alívio para as crises financeiras que afetaram o país nos últimos anos.

“Há alguns motivos por trás do aumento da produção de petróleo e gás natural, mas o principal deles é a Vaca Muerta, uma das maiores formações de xisto do mundo, que atraiu investimentos maciços”, observa Victor Arduin, analista de Energia e Macroeconomia da Hedgepoint Global Markets.

De acordo com os dados oficiais, a produção de petróleo bruto aumentou 0,4% em relação ao mês anterior (m/m) e 8,8% em relação ao ano anterior (a/a), enquanto a produção de gás natural aumentou 10,2% em relação ao mês anterior e 11,2% em relação ao ano anterior.

“Esses desenvolvimentos estão tornando a Argentina um importante produtor de energia na América do Sul. Além disso, cerca de 67% da produção total de petróleo bruto vem da região de Neuquina, onde se encontra a formação Vaca Muerta”, indica.

“O cenário energético da América do Sul está mudando. Países como Argentina, Brasil e Guiana estão aumentando a produção de petróleo bruto, ajudando a mitigar o déficit de fornecimento causado pelas nações da OPEP+ nos últimos meses. Vamos examinar o cenário energético da Argentina e suas implicações para o mercado global de energia”, diz o analista.

Impulsionador do petróleo da Argentina

Em maio, a maioria das regiões produtoras de petróleo bruto da Argentina registrou quedas em sua produção em comparação com o mesmo período do ano passado. Isso inclui Austral (-3,3%), Cuyana (-6,0%) e Golfo San Jorge (-2,6%).

“No entanto, a bacia de Neuquina registrou um aumento significativo de 15,9% em relação ao ano anterior. Essa região está permitindo que o país aumente suas exportações de petróleo bruto, ajudando a obter receitas em meio a uma crise financeira que reduziu significativamente suas reservas internacionais”, explica.

Segundo Victor, uma maneira de observar a crescente importância da região é o aumento das plataformas de fraturamento hidráulico, que recentemente chegaram a 1.703, a maioria dos quais da empresa petrolífera nacional YPF.

Nessa trajetória, a projeção é de que Vaca Muerta ultrapasse 1 milhão de barris por dia (bpd) de produção de petróleo bruto até 2030, posicionando a região ao lado de regiões de petróleo de xisto dos EUA, como Bakken e Eagle Ford.

Entretanto, a liberação de todo o potencial de geração de petróleo e gás natural da região depende de mais investimentos e desenvolvimento de infraestrutura.

“Estão surgindo sinais de que os mercados de crédito e de ações da Argentina podem estar se abrindo, à medida que o presidente recém-eleito implementa políticas que visam a flexibilizar a economia rigidamente controlada do país”, acredita.

Investimentos no petróleo

O novo governo da Argentina está tomando medidas importantes ao fazer a transição dos preços da energia para os níveis de mercado.

Esse afastamento dos subsídios visa a atrair investimentos em todo o setor de energia, não apenas para a produção de petróleo bruto, mas também para o gás natural.

“O aumento do investimento em gás natural é fundamental para obter economias de escala, tornando-o mais competitivo e, possivelmente, abrindo portas para mercados de exportação atraentes, como na Europa, que busca diversificar os fornecedores após o conflito entre a Rússia e a Ucrânia”, ressalta.

Em maio, a YPF iniciou a primeira etapa de um oleoduto que ajudará a aumentar a produção na formação de Vaca Muerta, permitindo que o país exporte mais de 135 milhões de barris de petróleo por ano.

A primeira etapa exigirá um investimento de US$ 190 milhões.

“Os projetos de infraestrutura desempenharão um papel fundamental para que a Argentina possa expandir seu volume de exportação nos próximos anos. Desde sua inauguração no ano passado, o oleoduto Transandino facilitou o envio diário de 52.000 barris por dia (bpd), marcando um aumento de 30% nas exportações de petróleo de Vaca Muerta para o Chile”, conclui.

Em resumo, a Argentina está ganhando terreno no cenário energético internacional e pode se tornar um importante fornecedor para o mercado global à medida que sua produção aumenta.

As reformas econômicas em andamento, que estão alinhando os preços do país com os níveis internacionais, poderão desbloquear uma série de investimentos no setor de petróleo e gás, cruciais para liberar o potencial do país.

No centro dessas perspectivas positivas para o setor de energia está a região de Vaca Muerta, que hoje representa o principal impulsionador do crescimento do petróleo e do gás natural no país.

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