Escassez de madeira eleva custos e estimula alternativas energéticas para novas usinas
A expansão do etanol de milho no Brasil começa a enfrentar um novo desafio: a disponibilidade de biomassa para abastecer as usinas.
A escassez de madeira em regiões produtoras pode elevar os custos. Além disso, novos projetos já avaliam alternativas para garantir o fornecimento de energia.
Etanol de milho amplia demanda por biomassa
Para Filipi Cardoso, líder de inteligência de mercado do Bradesco, a energia ganhou relevância na análise de novos projetos de etanol de milho. Segundo o analista, o banco avalia a origem da energia necessária para a operação ao analisar o financiamento de uma nova usina no Centro-Oeste.
Nas usinas de cana, o próprio processo produtivo gera o bagaço utilizado como combustível nas caldeiras. Já as unidades de milho precisam encontrar outras fontes de biomassa.
Por isso, grandes grupos já consideram os custos relacionados à manutenção de florestas destinadas ao fornecimento energético, conforme Cardoso.
“De fato, é um gargalo muito forte quando a gente olha para a produção de etanol a partir de cereais”, afirmou Filipi Cardoso.
Biomassa estimula novas alternativas energéticas
Diante desse cenário, os projetos de etanol de milho começam a diversificar suas fontes de energia.
Entre as alternativas avaliadas estão capim-elefante, casca de açaí e outras biomassas disponíveis regionalmente. No Sul, a casca de arroz também aparece entre as opções.
Para unidades sem produção própria de madeira, Cardoso prevê aumento dos custos. Isso ocorre devido à disputa pelo insumo com outras atividades econômicas. Assim, a busca por fontes regionais de biomassa pode ganhar espaço na expansão do setor.
Cana e milho compartilham energia
Outra alternativa envolve a integração entre as cadeias de milho e cana. Nesse modelo, o bagaço da cana pode fornecer energia para a produção de etanol de milho.
A Atvos, por exemplo, pretende utilizar o bagaço de cana para abastecer a caldeira de sua produção de etanol de milho. A informação foi apresentada por Amaro Silvares, diretor de Estratégia e Negócios Agrícolas da companhia.
Na Unidade Santa Luzia, em Nova Alvorada do Sul (MS), a empresa estrutura um complexo com produção de cana, milho e biometano. As plantas compartilharão a fonte energética da caldeira.
“Usamos o bagaço na queima na caldeira para alimentar a energia da planta de etanol de milho”, afirmou Silvares.
Além do custo, o executivo destacou a importância da origem sustentável da biomassa utilizada pelas usinas.
Segundo Silvares, materiais associados ao desmatamento podem prejudicar a imagem do setor. Consequentemente, isso também pode dificultar o acesso do etanol brasileiro a mercados internacionais.
Usinas flex ganham espaço
Nesse contexto, a restrição energética pode aumentar a atratividade das chamadas usinas flex.
Essas unidades conseguem aproveitar diferentes fontes de matéria-prima e energia. Assim, podem reduzir a exposição à escassez de madeira e às oscilações de preços da biomassa.
O uso do bagaço de cana também permite aproveitar excedentes de usinas sucroenergéticas mais eficientes. Dessa forma, a integração entre as cadeias pode contribuir para a expansão do etanol de milho no país.
















