ONS leva desafios da operação brasileira ao GO15

Marcio Rea participou de fórum com operadores globais e discutiu renováveis, geração distribuída e data centers.

O diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Marcio Rea, participou da reunião presencial de lideranças do GO15, em Atenas, na Grécia.

O grupo reúne operadores dos maiores sistemas elétricos do mundo. Segundo o ONS, o encontro teve cerca de 30 executivos de diversos países.

Além disso, os participantes discutiram desafios atuais e futuros do mercado de energia elétrica. O diretor de Planejamento do ONS, Alexandre Zucarato, também participou do evento.

Brasil ganha espaço no debate global

Marcio Rea será vice-presidente do GO15 em 2026. Em 2027, assumirá a presidência do grupo.

Segundo o ONS, essa posição amplia a relevância do Brasil nas discussões internacionais sobre operação de grandes sistemas elétricos.

O GO15 reúne atualmente 18 entidades responsáveis por mais de 60% da demanda global de eletricidade, conforme informado pelo operador brasileiro.

Portanto, a presença do ONS no fórum reforça a inserção do Brasil em debates sobre segurança energética, transição para matrizes sustentáveis e inovação tecnológica.

Transição energética e data centers

Além da reunião do GO15, Rea participou do painel “Transição Energética e Data Centers: Desafios para os Operadores da Rede Elétrica”.

O debate ocorreu em fórum promovido pelo próprio GO15 e pela MedTSO, entidade que reúne operadores de energia do Mediterrâneo.

No painel, Rea dividiu a discussão com executivos da PJM, operador norte-americano, e da GCCIA, operador do Golfo.

Segundo o ONS, o diretor-geral apresentou os desafios da operação no Brasil diante da transformação acelerada do setor elétrico.

Renováveis ampliam complexidade operacional

Durante o evento, Rea afirmou que as fontes renováveis já representam cerca de 85% da capacidade instalada da matriz elétrica brasileira em 2026.

Ainda segundo o diretor-geral, a projeção é que essa participação chegue a quase 88% até 2030.

O crescimento ocorre de forma mais intensa na micro e minigeração distribuída, de acordo com o ONS.

Além disso, a participação relativa da geração controlada pelo operador tende a diminuir ao longo do tempo.

Para Rea, essa mudança aumenta a complexidade da operação do sistema elétrico. Consequentemente, exige novos modelos de gestão, mais flexibilidade operacional e adaptação da infraestrutura energética.

Planejamento e operação em nova fase

A participação do ONS no encontro ocorre em um momento de maior pressão sobre a operação elétrica brasileira.

A expansão das renováveis, o avanço da geração distribuída e novas demandas de consumo ampliam a necessidade de coordenação técnica.

Além disso, o debate sobre data centers adiciona outra dimensão ao planejamento energético. Isso porque essas cargas exigem suprimento confiável, previsibilidade e capacidade de resposta do sistema.

Nesse contexto, a agenda apresentada pelo ONS no GO15 conecta a experiência brasileira a desafios comuns dos grandes operadores globais.

Por fim, a discussão também reforça que a transição energética depende de operação, planejamento e infraestrutura compatíveis com a nova matriz elétrica.

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