Marina Siqueira, da Potigás: “Ocupamos espaços de liderança e nos apoiamos para alcançarmos reconhecimento e novas oportunidades”

Marina fala sobre a sua trajetória e a importância da liderança feminina em entrevista exclusiva

A presença das mulheres no mercado de trabalho ainda é uma questão social relevante no Brasil e no mundo. Ainda é necessário muito debate e conscientização para que a presença delas em cargos de liderança, sobretudo no setor de energia, seja maior.

Estudo realizado pela FESA Executive Search, em 2021, revelou que das 25 principais empresas de energia que atuam no Brasil, apenas 6% dos cargos de liderança são exercidos por mulheres.

Nos cargos de direção, por exemplo, elas representaram 19%, enquanto que em posições de apoio ao negócio, como nas áreas jurídico e regulatório, RH, financeiro ou comunicação, o número chega a 13%.

Advogada com especialização em Direito Ambiental pela PUC Minas e diretora-presidente da Potigás (Companhia Potiguar de Gás), Marina Siqueira lembra que quando trabalhava na Companhia Docas (2014), todos os diretores e conselheiros de administração eram homens.

Na Potigás, em 2019, Marina se deparou com um cenário um pouco melhor.

“Tínhamos a nossa diretora Administrativa e Financeira, Eliana Bandeira – mulher negra que muito nos representa – e a diretora-presidente Larissa Dantas que tenho a oportunidade de suceder”.

As mudanças começam a aparecer, mas ainda de forma muito tímida. Marina é a única mulher diretora-presidente de uma Companhia de Gás no Nordeste e no país esse número não chega a três.

“Também somos poucas nos conselhos de administração das Distribuidoras”, lembra.

Iniciativas

Apesar da participação tímida das mulheres em cargos de liderança, a Potigás busca uma realidade diferente. Por lá, a diretoria executiva é composta, na sua maioria, por mulheres.

“Além de mim, temos a Taciana Amaral, na Diretoria Administrativa e Financeira. Nosso Conselho de Administração também conta com a importante participação feminina, a advogada Ingrid Paiva e a jornalista Guia Dantas. Já em nível gerencial e de assessoria são cinco cargos de liderança ocupado por mulheres”, comenta Marina

A Potigás incentiva a atuação de sua equipe em iniciativas como o “Programa de Diversidade nos Conselhos” da B3 e IBGC (Instituto Brasileiro de Governança Corporativa), “Mulheres de Energia” e “Sim Elas Existem” “Movimento Elas Lideram 2030” da ONU Mulher, entre outros que formam essa rede de apoio a representatividade feminina.

A companhia investe também na formação profissional da equipe, para que estejam prontas para os desafios e oportunidades que apareçam.

“O nosso maior incentivo se dá por meio do exemplo. Nos ocupamos os espaços de liderança e vamos uma segurando a mão umas das outras para alcançarmos cada vez mais reconhecimento e oportunidades na nossa vida profissional”.

Perspectivas

Segundo Marina, é preciso apoio para que as mulheres ocupem o cargo de liderança.

“Precisamos mudar a forma de pensar das organizações, quando entendermos que as mulheres não são uma ameaça e sim uma oportunidade, daremos um importante passo rumo à inclusão feminina no setor”.

A presidenta da Potigás lamenta o pensamento majoritário ainda estereotipado em relação a mulher, o que segundo a líder desloca a figura feminina para um local de cuidado e fragilidade.

Essa realidade, para Marina, só mudará se esse for um compromisso de todos, a partir do entendimento que a inclusão da diversidade é um bom negócio, agregando valor as organizações.

“Acredito que para acabar, ou pelo menos diminuir a desigualdade de gênero, precisamos que todos estejam envolvidos. Para isso, os homens também devem ser os advogados dessa mudança. É uma luta da humanidade.”

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