Mercado livre de energia cresce 3,1% no 1º trimestre

Segundo a CCEE, avanço foi puxado por novos consumidores e maior consumo em serviços, saneamento e extração mineral.

O mercado livre de energia manteve trajetória de expansão no Brasil no primeiro trimestre de 2026. Segundo a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), a carga do segmento chegou a 30.570 megawatts médios. O volume representa alta de 3,1% em relação ao mesmo período de 2025.

Por outro lado, o consumo total do país recuou 1,2% no trimestre, somando 73.669 megawatts médios. Esse resultado considera os mercados livre e regulado, conforme acompanhamento em tempo real feito pela CCEE.

Novos consumidores sustentam avanço

De acordo com a CCEE, o crescimento do mercado livre tem relação direta com a entrada de novos consumidores. Nos três primeiros meses de 2026, 4.864 consumidores ingressaram no ambiente livre.

No mercado livre, consumidores podem escolher fornecedores e negociar condições contratuais. Além disso, podem optar por fontes renováveis e contratar energia conforme a demanda prevista. Atualmente, o acesso está disponível a clientes conectados em alta tensão. Esse grupo inclui indústrias, supermercados, farmácias, padarias, escritórios e pequenas e médias empresas. A expectativa, segundo o material, é de abertura total para todos os consumidores brasileiros até o fim de 2028.

Serviços lideram crescimento setorial

Entre os setores acompanhados pela CCEE, Serviços teve a maior alta no primeiro trimestre. O consumo do segmento cresceu 12% na comparação anual. Em seguida, aparecem Saneamento, com avanço de 11,3%, e Extração de Minerais Metálicos, com alta de 10,9%. No entanto, alguns ramos registraram retração.

A indústria química teve queda de 4% no período. Além disso, Telecomunicações recuou 3,6%. Já Metalurgia e Produtos de Metal registrou baixa de 3,1%.

Mercado regulado recua com migração

Enquanto o mercado livre avançou, o mercado regulado registrou retração no trimestre. Segundo a CCEE, o segmento abastecido pelas distribuidoras locais somou 43.099 megawatts médios. O volume representa queda de 4,1% em relação ao primeiro trimestre de 2025.

Além da migração para o mercado livre, a CCEE atribui o recuo a temperaturas mais amenas. Esse efeito foi mais relevante nas regiões Sul e Sudeste. Com dias mais frios, houve menor uso de equipamentos de refrigeração. Consequentemente, ventiladores e aparelhos de ar-condicionado tiveram menor impacto sobre a demanda.

Pará lidera alta entre os estados

No recorte regional, considerando os mercados livre e regulado, o Pará teve a maior alta de demanda. Segundo a CCEE, o estado registrou crescimento de 7,1% no primeiro trimestre. Na sequência, aparecem Sergipe, com alta de 6,8%, e Amazonas, com avanço de 5,7%.

Por outro lado, estados do Sul e do Sudeste foram mais afetados pelas frentes frias. O Rio de Janeiro teve queda de 5,9%. Além disso, Goiás recuou 5,3%, já Minas Gerais registrou retração de 3,4%.

Abertura amplia peso do mercado livre

O desempenho do trimestre indica que o mercado livre segue ganhando participação na dinâmica do setor elétrico. Também, a entrada de novos consumidores reforça a necessidade de adaptação comercial, regulatória e operacional.

A migração pressiona distribuidoras, comercializadoras e consumidores a revisar modelos de contratação. Portanto, o avanço do mercado livre não altera apenas o consumo. Ele também muda a forma como empresas planejam custos, risco energético e estratégia de suprimento.

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