SPIC Brasil e Cepel iniciam P&D Aneel em hidrogênio e amônia verdes

Objetivo é avaliar as possibilidades da cadeia do H2V e suas aplicações

A SPIC Brasil e o Centro de Pesquisas de Energia Elétrica (Cepel) assinaram contrato de desenvolvimento de projeto de P&D Aneel, para criação de projeto conceitual de engenharia de uma planta integrada e multipropósito de hidrogênio verde (H2V) e amônia verde.

Dentre outros objetivos, essa iniciativa visa avaliar a economicidade de soluções para aplicações reais em diferentes condições e escalas, tendo em vista o fato de o H2V ser considerado importante vetor energético para a descarbonização e integração de diversos setores, principalmente o da indústria e o da mobilidade.

Esse projeto é um dos resultados do Memorando de Entendimentos (MoU) assinado em 2020 entre a SPIC Brasil, o Cepel e o State Nuclear Electric Power Planning Design and Research Institute (SNPDRI/SPIC ISEST), visando à troca de experiências em projetos de smart energy e ao fortalecimento da cooperação entre Brasil e China.

Com base em cerca de duas décadas de experiência em tecnologias do hidrogênio, participação em outros projetos de P&D Aneel no tema e atuação em áreas associadas, como células a combustível, armazenamento de energia, integração energética, geração fotovoltaica, EMS (Energy Management System), o Cepel será o executor do projeto.

“Pesquisa, desenvolvimento e inovação na área de hidrogênio verde estão na ordem do dia e em escala global. Tratam-se de iniciativas importantes relacionadas à transição energética e à mitigação de problemas climatoambientais, tendo em vista seu papel fundamental na descarbonização das atividades econômicas. O projeto com a SPIC Brasil se insere nesta área e procurará, em especial, avaliar as possibilidades da amônia verde no cenário considerado e no contexto de aplicações da SPIC Brasil”, ressalta o diretor-geral do Cepel, Amilcar Guerreiro.

O pesquisador José Geraldo de Melo Furtado, coordenador do projeto pelo Cepel, explica que o H2V é considerado o vetor energético da descarbonização por excelência por ser produzido por meio da eletrólise da água, empregando, como insumo, energia elétrica gerada com base em recursos energéticos renováveis, notadamente solar e eólico, e, portanto, sem emissões de carbono.

“Com base na perspectiva de disponibilização de recursos energéticos renováveis gerada a baixo custo, o Brasil pode vir a se tornar um grande exportador de hidrogênio verde e seus derivados, mas também será importante internalizar os ganhos relacionados ao H2V mediante o desenvolvimento de aplicações no país. Além disso, o Brasil precisará investir fortemente na infraestrutura associada ao hidrogênio verde e à sua cadeia”, acrescenta Furtado.

O pesquisador destaca que, dentre os derivados do H2V, a amônia verde, em especial, apresenta grandes perspectivas de inserção em amplos setores, como o de fertilizantes (com possíveis impactos no agronegócio) e as indústrias química, farmacêutica e de refrigeração, além da utilização como combustível em navegação. Possui, ainda, maiores facilidades em termos de armazenamento e transporte em relação ao próprio hidrogênio.

O projeto de P&D terá duração de 18 meses a contar do primeiro dia de abril e será desenvolvido em seis etapas, englobando fundamentação e contextualização; concepção de engenharia e modelagem básica da planta; análise de cadeias de insumos e produtos da planta; estudos de avaliação técnica e econômica e de integração material e energética; modelagem avançada, análises de otimização e gerenciamento da planta; e desenvolvimentos e simulações com EMS.

Demandante da pesquisa e financiadora, a SPIC Brasil poderá utilizar o conhecimento produzido para desenvolver e refinar projetos da empresa que envolvem H2V, para atendimento de demandas futuras e criação de oportunidades de mercado. “Analisamos várias alternativas para esse projeto. O caminho que definimos com o Cepel é resultado da convergência de interesses e de resultados, mas que também aposta na originalidade e no desenvolvimento de novas tecnologias”, avalia Adriana Waltrick, CEO da SPIC Brasil.

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